Alguem disse certa vez, que o bom
de nova york é que ninguém é realmente de lá. Não sei se isso se aplica só a
nova york, não sei nada de lá, mas acredito que seja verdade. Não uma verdade
exclusiva da grande maçã, mas sim dos lugares que por seu tamanho colossal,
costumam atrair os que buscam mais da vida.
Certa vez andando meio sem rumo
acabei indo parar no parque municipal de belo horizonte, que por sinal, fica no
centro da cidade, o que faz dele um tipo de central park tupiniquim.
Em meio a pensamentos, problemas
do dia a dia e uma vontade de ficar sozinho curtia a calma, que as arvores do
parque proporcionava ao abafar o som dos carros que circulavam os arredores.
De repente sem aviso prévio, uma
chuva de verão castigou a todos os que por ali praticavam o doce ócio criativo
que só um domingo é capaz de proporcionar. Rapidamente todos os que transitavam
buscaram abrigo e que lugar melhor do que um para uma reunião de desconhecidos,
do que um coreto de praça ou no caso, de parque?
Quando a chuva parou, o coreto
ficou praticamente vazio. Ficamos apenas eu, um cara baixinho com cara de
assustado, um sujeito tão hippie que parecia ter acabado de sair de uma maquina
do tempo direto dos anos 70, e um caboclo chamado vender, com um violão todo detonado
que, dias depois assistindo TV, vim a saber que era um certo vander lee.
O tempo como sempre, foi
escolhido para quebrar o gelo e dar inicio a uma conversa entre desconhecidos.
O cara com cara de assustado era
paulista e deixou bem claro sua paulistice ao nos informar que em são paulo
chove o ano todo afinal, é aterra da garoa! Ficamos todos estupefatos.
o hippie era gaúcho percebi isso
com meus incríveis poderes de dedução, ao perceber que vez ou outra ele dizia
um bha! ou um né? seguido de uma interrogação.
Bem parecido com o mineiro que se
entrega sempre que solta um uai.
Já o vander que não parava de
dedilhar seu violão, era um mistério completo. porem seu sotaque levemente
idêntico ao meu, deixava bem claro sua mineiridade, mas não revelava de qual cidade ele viria até por
que como bom mineiro ele talvez nunca nos diria. Coisas de quem comeu muito pão
de queijo com café.
De todo jeito o mais curioso
desse domingo no parque é que naquele grupo de quatro desconhecidos, que se
encontraram meio sem querer, mas dos quatro, três moravam em belo horizonte,
mas não nasceram ali, já eu nasci em bh e não moro ali acontecimentos estranhos
dessa vida da gente não é verdade?
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