segunda-feira, 3 de julho de 2017

Passou



De tanto esperar
O momento correto,
De tanto tentar
O caminho mais perto,

De tanto evitar
Falar o que é certo,
De tanto deixar
O poema incompleto.

De tanto pensar
Se é vida ou se é feto,
De tanto adiar
A viajem ao deserto,

De odiar
O que não é belo,
De tanto contar
Com quem nunca esta perto.

De tanto levar
Ao extremo o projeto,
De tanto saltar
E cair no concreto,

De tanto aguardar
O emprego completo,
De tanto errar
E pensar que está certo.

A vida passou.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Papo de critico ainda cola?



Fala a verdade alguem ainda lê desculpe, ninguém le nada na internet. Começando e novo alguem ainda dá a mínima atenção pra opinião de critico?

Falo isso por que vez ou outra deparo-me com resenhas, podcasts e outra aberrações da internet, que mais parecem teses de mestrado a respeito de temas triviais como: filmes, livros entre outros. Ao invés de se limitar a emitir apenas uma opinião, as pessoas ficam tentando tornar seu gosto pessoal em veredicto, como se fosse obrigação delas definir o que é bom e o que não é.

O critico é o sujeito que acredita mesmo sem ter razão, que se trata da única pessoa na galáxia, capaz de analisar algo e somente a partir da sua critica um filme, álbum ou livro passara a ter alguma importância para o publico.

O publico não sabe nada, afinal o critico é o especialista. Mesmo a maioria que não sabe quantas cordas tem violão de seis cordas se a critica não gosta do seu disco, então ele automaticamente é ruim.

Fico puto por que não somos ovelhas, não precisamos de um pastor, que nos guie até o palácio da sabedoria, do qual só o critico possui a chave para entrar.

Esse papo de quem sabe se o novo filme do diretor fulano é mesmo tão bom pra lotar as salas de cinema, se o segundo álbum da banda de rock inglês do momento é tão bom quanto o primeiro, ou se os novos trabalhos daquele artista plástico finlandês são bons é a critica já deu no saco. Isso nunca teve influencia na produção artística e não terá agora.

É o publico quem decidira se gosta ou não. Já questão de qualidade vai do gosto de cada um o que torna nada nem bom e nem ruim.

Outra coisa que tem me preocupado, é que sempre que um desses críticos morre logo alguem da imprensa me vem com: “tivemos uma grande perda!”, mas e os artistas que foram alvo das inúmeras asneiras que aquele crítico muitas vezes publicou, demonstrando seu total conhecimento do assunto?

Se um mero observador e palpiteiro com diploma universitário é uma grande perda, a morte de um dos responsáveis pelo mesmo crítico ter um emprego seria o que?

Sinceramente nem sei bem por que estou escrevendo sobre isso, mas tinha de demonstrar minha indignação.

Críticos não escrevem nada que não sejam criticas, não pintam, compõem, não atuam e quando se aventuram a produzir arte, acabam nos castigando com aberrações do tipo nouvelle vague ou cinema novo, sucessos retumbantes de critica e fracasso de publico que faz por bem ignorar suas “obras” patéticas.

Resumindo papo de critico não cola e nunca colou, porque como disse jesus cristo, “eles não sabem o que fala!” talvez por que não sabem como se faz. Abençoados serão os humildes por que de arrogantes já basta os críticos.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Um domingo no parque o dia em que conheci vander lee



Alguem disse certa vez, que o bom de nova york é que ninguém é realmente de lá. Não sei se isso se aplica só a nova york, não sei nada de lá, mas acredito que seja verdade. Não uma verdade exclusiva da grande maçã, mas sim dos lugares que por seu tamanho colossal, costumam atrair os que buscam mais da vida.

Certa vez andando meio sem rumo acabei indo parar no parque municipal de belo horizonte, que por sinal, fica no centro da cidade, o que faz dele um tipo de central park tupiniquim.

Em meio a pensamentos, problemas do dia a dia e uma vontade de ficar sozinho curtia a calma, que as arvores do parque proporcionava ao abafar o som dos carros que circulavam os arredores.

De repente sem aviso prévio, uma chuva de verão castigou a todos os que por ali praticavam o doce ócio criativo que só um domingo é capaz de proporcionar. Rapidamente todos os que transitavam buscaram abrigo e que lugar melhor do que um para uma reunião de desconhecidos, do que um coreto de praça ou no caso, de parque?

Quando a chuva parou, o coreto ficou praticamente vazio. Ficamos apenas eu, um cara baixinho com cara de assustado, um sujeito tão hippie que parecia ter acabado de sair de uma maquina do tempo direto dos anos 70, e um caboclo chamado vender, com um violão todo detonado que, dias depois assistindo TV, vim a saber que era um certo vander lee.

O tempo como sempre, foi escolhido para quebrar o gelo e dar inicio a uma conversa entre desconhecidos.

O cara com cara de assustado era paulista e deixou bem claro sua paulistice ao nos informar que em são paulo chove o ano todo afinal, é aterra da garoa! Ficamos todos estupefatos.

o hippie era gaúcho percebi isso com meus incríveis poderes de dedução, ao perceber que vez ou outra ele dizia um bha! ou um né? seguido de uma interrogação.

Bem parecido com o mineiro que se entrega sempre que solta um uai.

Já o vander que não parava de dedilhar seu violão, era um mistério completo. porem seu sotaque levemente idêntico ao meu, deixava bem claro sua mineiridade, mas  não revelava de qual cidade ele viria até por que como bom mineiro ele talvez nunca nos diria. Coisas de quem comeu muito pão de queijo com café.

De todo jeito o mais curioso desse domingo no parque é que naquele grupo de quatro desconhecidos, que se encontraram meio sem querer, mas dos quatro, três moravam em belo horizonte, mas não nasceram ali, já eu nasci em bh e não moro ali acontecimentos estranhos dessa vida da gente não é verdade?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Me apégo as palavras (ou um delirio da madrugada)



por: markos paullo


Não sei bem porque, mas em determinado momento da vida agente fica meio cansado. Cansado de todo dia ser igual, a todos os outros dias, de toda noite acabar parecendo à mesma noite.

Me apego as palavras. Eu sei existe um numero limitado de letras, mas as palavras, essas sim são quase que infinitas. Até porque, na ausência de uma palavra, que possa expressar qualquer sentimento, sempre é possível subverter a ordem, criar novas palavras e dar a isso nome de licença poética.

Não que eu e ache um poeta, estou bem longe disso. Mas, sempre gostei de brincar com as palavras, caçoar das regras, dar de ombros paras a normas cultas, afinal, nem tão culto eu sou. Sou só um velho punk/nerd/escrevinhador, que ou outra consegue colocar uns delírios, que alguns chamam de sentimento, no papel.

Agora mesmo é isso que estou fazendo. São 1:30 da manhã, o sono já deixou bem claro,que primeiro vamos ver a reprise dos simpsons na tv e ai sim, só depois dos prazeres da vida é que o corpo consegue descansar. Eu ao mesmo tempo em que passeio o olhar, pela tela de uma surrada televisão de tubo (minha LCD queimou), rabisco alguma coisas num caderno já quase sem folha, de tantas que rasguei na insatisfação que espera da “inspiração” consegue causar.

Mesmo depois de feita a sua vontade, o sono não parece disposto a fazer a minha, que é fechar os olhos, pelo menos por umas quatro horas (nunca durmo mais que isso), então decido encarar outra maquina. Ele ficou ali meio de lado durante o dia, mas faltando três horas para nascer outro dia, decido ligar o computador e escrever, simplesmente escrever.

È engraçado porque eu nem mesmo tenho idéia, do que, ou sobre o que escrever só queria ouvir o som do teclado e ver as palavras brotando que nem samambaia, no monitor.

Pra minha alegria, ainda tem chá.

Chá é a única coisa (sei la porque) capaz, de me fazer sentir menos miserável. Depois de uma xícara de chá, sou capaz de publicar até um livro, mas por enquanto este textinho miúdo, que nasce na madrugada já está bom. Depois agente vê a idéia do livro.

Enquanto adoço a erva, meu violão parado no canto parece me convidar, pra quebrar o silêncio que faz aqui dentro e claro adormece os que saem pro batente depois de dormir por oito horas, enquanto eu fico acordado ouvindo o que o silêncio diz. Quanto ao violão, não será essa noite que faremos nosso tédio virar canção.

Na estante um livro de crônicas do ruben braga meticulosamente marcado, na pagina onde elguém (acho que fui eu) parou de ler, me atiça a curiosidade. Mas, algo me diz que não é noite de leitura, e sim de chá e de escrita.

Mas, nada me impede de correr os olhos por entre as painas ainda brancas de um livro muito bem conservado. Talvez até pinçar um ou outro verbete, que possa encorpar meu texto, que não é nada carente, a mim as palavras que eu sei, já são suficientes, mas não custa nada aprender com os que realmente sabem de que outra forma alguém escreveria. Na verdade é só desculpa pra deixar este texto pra outro dia.

Volto vaca quente e antes que ela esfrie e morra, procuro uma maneira de encerrar este pequeno delírio da madrugada.

Acabo nem bebendo todo o chá. Deixo de lado a vontade de dormir que não será saciada, e me ponho a digitar as ultimas palavras que você esta lendo. Nem sempre agente tem o que quer, mas no meu caso se for pra sofrer de insônia, que seja um jeito ameno e como pra escrever é o que tenho no final das contas o esforço acaba valendo.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Vão olhar pra você



Se você for maldito ou querido
às pessoas vão olhar pra você.
Se você for bem-vindo ou banido,
as pessoas vão olhar pra você.

Se você for canino ou felino,
as pessoas vão olhar pra você.
Se você for achado ou perdido,
as pessoas vão olhar pra você.

Se você for calado ou grunhindo,
as pessoas vão olhar pra você.
Se você for levado ou bonzinho,
as pessoas vão olhar pra você.

Se você for chorando ou sorrindo,
as pessoas vão olhar pra você.
Se for pelado ou vestido,
as pessoas vão olhar pra você.

domingo, 7 de maio de 2017

Dia Frio Melancolicamente feliz



por: markos paullo

Dia frio, céu cinzento e no radio bem baixinho, toca uma canção dos anos 1980. Lembrança de quando as coisas eram (ou pareciam) ser mais simples. Quando o dia durava 24 horas e dava tempo de fazer (às vezes, até refazer) tudo o que a agenda do dia exigia.

A canção se bem me lembro, dizia algo sobre todo dia parecer domingo, mas olhando para o calendário do celular, constatei que era domingo e pra minha surpresa mal passava das 7:00 da manhã .

Abro a janela só pra constatar o que já sabia. O céu estava lindamente cinza e o vento frio que entrava, convidava para um dia de inverno aquecido pelas meias nos pés e pela coberta, que serve de abrigo enquanto rola a seção de cinema no sofá.

Enquanto “planejo” o pequeno festival de cinema, que terá como tema filmes para aquecer a alma, namoro silenciosamente o céu quase londrino que resolveu fazer de moldura a janela da minha morada, ao mesmo tempo em que enfurecia visinhos que ao contrario de mim torciam pela chegada do sol.

Ainda bem que ele não veio!

La pelo inicio da tarde, enquanto ponho em pratica o plano de saciar a fome, enquanto alimento a alma com uma serie de risadas fruto das muitas trapalhadas dos três patetas. Constato então pelos olhos cheios de lagrimas da minha filha, que poucos têm o dom de fazer sorrir uma platéia formada por diferentes idades. Ainda mais num dia frio.

O domingo vai passando, mas o frio não. Ele insiste em ficar, impávido colosso. Cheio de si e dono da razão. Vês ou outra uma voz mais enraivecida se ouve pelos corredores do prédio. Nada que um bom gole de café não consiga fazer parecer coisas de quem não sabe se adaptar. Afinal não sou de reclamar nos dias de calor, mesmo não gostando deles.

Então por que não deixam meus poucos dias de frio em paz?

Conforme a noite se aproxima, percebo que andei pelos anos 30, viajei pelo espaço, fui veloz e furioso, caçador de zumbi e num show da minha banda do coração se eu gostasse de pipoca, seria o dia perfeito, mas o bom de estar vivo é que nem tudo é perfeito e mesmo assim vale a pena do mesmo jeito.

Quanto ao resto do dia, faça frio ou faça calor, quando agente esta feliz mesmo que melancolicamente feliz, não temperatura por mais baixa que seja, que um bom dia com quem se ama não esquente.

Que todo dia seja domingo, mas como este perfeito pra aquecer o coração. 

Namastê