segunda-feira, 6 de junho de 2016

Cheirar um bom vinho e relaxar



As melhores coisas da vida são para sentir, algumas são para degustar e outras são para inalar. Um bom rango ou bom vinho são exemplos de coisas que devem ser degustadas.
Devem dar prazer através ativando, paladar e olfato.

Mas então, de onde vem o habito de cheirar o vinho? Porque negar ao paladar um direito, e da-lo apenas ao olfato?

Sinceramente eu não faço a mínima idéia.

Vez ou outra me deparo, com algum programa gastrocômico (ooops, gstronomico), no qual o vinho é peça chave, seja para enrolar uma conversa enquanto se prepara um ravióli, ou simplesmente para dar um ar sofisticado (mesmo que não seja) a quem apresenta a bagaça.

Outras vezes são os enólogos, especialista (se é que isso existe) em vinho, e não é rara a abertura de uma garrafa de vinho do porto, ser seguida por uma longa, chata e profunda inalada com o nariz literalmente afundado na taça.

Daí em diante segue-se uma explicação sobre o aroma (quase sempre amadeirado), que sugere se tratar uma uva colhida na região do bla bla bla e ai eu troco de canal.

Mas como sou chato, volto lá e pra variar esta tudo como dantes. A taça de vinho continua cheia, e a palestra sobre a uva prossegue acalorada. Fico literalmente absurdado e decido então tomar uma cerveja, mas antes é claro me pergunto, qual seria o ritual adequado para tal degustação?

Devo colocar numa taça, ou num como de café? Com o que vou “harmonizar” a cevada? Talvez uma cheirada bem caprichada para decifrar a origem da bebida!

É! Dylan e seus dilemas.

Claro meu surto cervejeiro, passa rápido já que a influência do dito especialista se dissipara no ar, com o fim do edificante programa gastronômico.

Volto minhas atenções a coisas menos nobres, como preparar uma macarronada, ligar a vitrola colocar (e ouvir) um vinil, escolher algo pra ler (e ler) e meditar a respeito das pessoas, que muito mais sofisticadas do que eu, preferem chegar em casa de pois de um dia daqueles, relaxar enquanto cheira um bom vinho.