sexta-feira, 2 de junho de 2017

Me apégo as palavras (ou um delirio da madrugada)



por: markos paullo


Não sei bem porque, mas em determinado momento da vida agente fica meio cansado. Cansado de todo dia ser igual, a todos os outros dias, de toda noite acabar parecendo à mesma noite.

Me apego as palavras. Eu sei existe um numero limitado de letras, mas as palavras, essas sim são quase que infinitas. Até porque, na ausência de uma palavra, que possa expressar qualquer sentimento, sempre é possível subverter a ordem, criar novas palavras e dar a isso nome de licença poética.

Não que eu e ache um poeta, estou bem longe disso. Mas, sempre gostei de brincar com as palavras, caçoar das regras, dar de ombros paras a normas cultas, afinal, nem tão culto eu sou. Sou só um velho punk/nerd/escrevinhador, que ou outra consegue colocar uns delírios, que alguns chamam de sentimento, no papel.

Agora mesmo é isso que estou fazendo. São 1:30 da manhã, o sono já deixou bem claro,que primeiro vamos ver a reprise dos simpsons na tv e ai sim, só depois dos prazeres da vida é que o corpo consegue descansar. Eu ao mesmo tempo em que passeio o olhar, pela tela de uma surrada televisão de tubo (minha LCD queimou), rabisco alguma coisas num caderno já quase sem folha, de tantas que rasguei na insatisfação que espera da “inspiração” consegue causar.

Mesmo depois de feita a sua vontade, o sono não parece disposto a fazer a minha, que é fechar os olhos, pelo menos por umas quatro horas (nunca durmo mais que isso), então decido encarar outra maquina. Ele ficou ali meio de lado durante o dia, mas faltando três horas para nascer outro dia, decido ligar o computador e escrever, simplesmente escrever.

È engraçado porque eu nem mesmo tenho idéia, do que, ou sobre o que escrever só queria ouvir o som do teclado e ver as palavras brotando que nem samambaia, no monitor.

Pra minha alegria, ainda tem chá.

Chá é a única coisa (sei la porque) capaz, de me fazer sentir menos miserável. Depois de uma xícara de chá, sou capaz de publicar até um livro, mas por enquanto este textinho miúdo, que nasce na madrugada já está bom. Depois agente vê a idéia do livro.

Enquanto adoço a erva, meu violão parado no canto parece me convidar, pra quebrar o silêncio que faz aqui dentro e claro adormece os que saem pro batente depois de dormir por oito horas, enquanto eu fico acordado ouvindo o que o silêncio diz. Quanto ao violão, não será essa noite que faremos nosso tédio virar canção.

Na estante um livro de crônicas do ruben braga meticulosamente marcado, na pagina onde elguém (acho que fui eu) parou de ler, me atiça a curiosidade. Mas, algo me diz que não é noite de leitura, e sim de chá e de escrita.

Mas, nada me impede de correr os olhos por entre as painas ainda brancas de um livro muito bem conservado. Talvez até pinçar um ou outro verbete, que possa encorpar meu texto, que não é nada carente, a mim as palavras que eu sei, já são suficientes, mas não custa nada aprender com os que realmente sabem de que outra forma alguém escreveria. Na verdade é só desculpa pra deixar este texto pra outro dia.

Volto vaca quente e antes que ela esfrie e morra, procuro uma maneira de encerrar este pequeno delírio da madrugada.

Acabo nem bebendo todo o chá. Deixo de lado a vontade de dormir que não será saciada, e me ponho a digitar as ultimas palavras que você esta lendo. Nem sempre agente tem o que quer, mas no meu caso se for pra sofrer de insônia, que seja um jeito ameno e como pra escrever é o que tenho no final das contas o esforço acaba valendo.

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