segunda-feira, 16 de maio de 2016

Um trovador solitário

Há algum tempo, enquanto mostrava algumas musicas que fariam parte do meu primeiro EP, um amigo em comum disse: “muito bom, mas como você define seu som? É pop, rock, MPB; como você se define”?

Acho essa coisa de rotular as coisas, um saco, mas vivemos num mundo, que parece depender disso. As pessoas precisam saber em que seção do mercado, a que prateleira você pertence.

Eu por outro lado, continuo acreditando que arte é arte, e ponto final. Escritores, compositores, cineastas entre outros, não deveriam ser indagados a respeito de estilo ou influencias, mas sim sobre o conteúdo de seus trabalhos.

Mesmo assim, passei um bom tempo buscando encontrar uma forma de definir meu trabalho, acabei chegando à conclusão de que primeiro é necessário um pouco de : “conhece a ti mesmo”por mais filosofia de boteco que possa parecer, auto-conhecimento fundamental.

:) Então fui em busca de respostas. (:

Estranhamente, era uma fase em que andava meio incomodado pos ver uma entrevista, em que o Tom Jobim ridicularizava os compositores que também interpretavam a própria obra e cunhou até um termo “cantautores”, como Tom Jobim não faz parte de nomes que admiro na MPB (musica presunçosa brasileira), sempre tive como costume não me dignar a dar importância as suas opiniões.

Só que dessa vez me senti incomodado, pensei comigo: “SANTA INCOENRENCIA BATMAN!”, esse cara também compõe e canta as próprias musicas, como pode tecer criticas a uma classe da qual também faz parte?

Elementar meu caro! Despeito.

Os puristas dirão que estou louco, em dizer que o “maestro” Tom Jobim, teria inveja de alguém, mas mantenho minha opinião. Em primeiro lugar o finado bossanovista, nem maestro era daí as aspas anteriores, segundo era um cantor medíocre e um compositor de melodias claramente chupadas de clássicos do jazz, e em terceiro, nutria uma total falta de conhecimento musical fora de seu mundinho samba-jazz.

Mas como que por encanto, meu sofrimento teve fim e pude assistir um documentário sobre trovadores modernos, então me vi ali, nos acordes abertos, no conceito na construção das letras e pude concluir: “meu som é assim”!

È daí que eu venho, sem áfrica, sem swing, sem “brasilidade”, ou seja lá o  qual for a palavra da moda. Não sei se rio de janeiro continua lindo, mas chove pra caramba na pensilvânia onde o som do dobro com afinação aberta sempre faz alguém chorar, o som folk das cordas de aço é o mais belo som do planeta, pelo menos para mim.  

Acabou o programa e fui correndo pegar o violão, não sei por que, mas uma seqüência de acordes maiores me veio a mente, uma serie de versos nasceram da certeza que para o meu orgulho, sou aquilo que tanto incomodava o velho Tom, sou cantautor, sou meu próprio interprete e arranjador, sou simples, singular e sonhador resumindo me defino como um trovador.